segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pêssego

encostei
costa a costa
qual náufrago sôfrego
arfava de tantas braçadas
em ondas surfistas
pensei atracar e te explorar
porém
costas surdas areias alheias
vegetação vadia e um quê
de pura anarquia
ativou meus sonares
meus arquivos e fechei o programa
saí desordenado
dobrei as mangas
por fim pequei
mordi
lambi
comi
e o gosto veludo
de teu pêssego amordaçou
o céu que em minha boca
teimava em excitar teus calores
voltei à praia bêbada
e bêbado com o marulhar
engoli tua pele, pêlos, carne
deliciosamente
cuspi o caroço
inoculando
e enlouquecendo
a tua semente

Do livro COXAS DE CETIM, 2000, Sérgio Gerônimo, Oficina Editores.

Um comentário:

  1. Coxas de Cetim... acetinadas coxas de cetim aveludado...
    quanto tempo se passou e elas continuam dando água na boca, principalmente quando o pêssego é deliciosamente comido... quase sem sobrar a semente...
    beijos carinhosos no teu coração.
    Já sou uma das tuas seguidoras - Alma Rosa -
    **
    Já agora faz uma visitinha no meu Flores Selvagens www.floreselvagens.blogspot.com ou
    nas Palavras Semente... de Palavras Somente www.palavrasemente.blogspot.com
    carinhosamente
    Anna DCastro

    ResponderExcluir